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quinta-feira, 12 de novembro de 2009

 
Palhaço dos 7 véus

A moça leu uma daquelas matérias de revistas de comportamento .. do tipo .. "101 orgasmos em 213 posições" ou "Como enfeitiçar o gato com sexo como ele nunca viu". Como a pessoa é crente na humanidade, saiu em busca de algo que desse um toque apimentado a sua relação. Achava que os momentos íntimos precisavam de um toque diferente. Viu algumas coisas aqui, outras ali e ficou interessada mesmo no curso de Dança dos 7 Véus. Pensou que o palhacinho a quem ela chama de "namorado" ia gostar de uma coisinha inusitada. De um rebolado mais exótico, digamos assim.

Fez a matrícula e frequentou as aulas assiduamente. Suou a camisa, ou melhor, suou o véu. Ou melhor, suou os 7 véus! Treinava escondido mirando nos 101 orgasmos e nas intensas noites de prazer. Pensava no namorando enquanto montava o figurino, escolhia a música e o motel onde seria dado o grande espetáculo. Ele ia a-m-a-r.

Já muito segura de si, convidou o namorado para um motelzinho e colocou todo o aparato na mala do carro. Foi pegar o rapaz no trabalho, fez um clima bacana para o evento. Chegando na suíte foi desvendando o mistérios aos poucos. Um gole de champanhota para soltar a pélvis e espantar a timidez. Respirou fundo. Luz baixa, maquiagem, música apropriada.

Bailou como nunca. Foi tirando os véus em poses para lá de sensuais. Uma espécie de dança do acasalamento do século XXI. No sétimo véu, quase em êxtase, caprichou no apoteótico grand finale.

- Ainda bem que você acabou com essa palhaçada para a gente transar logo - disparou o bruto já tirando a cueca.

Pano rápido.

Nota da autora: me contaram essa semana passada entre chopes e quibes.





quarta-feira, 11 de novembro de 2009

 
Eu, leitora e empresária circense

Estava saindo já há um tempo com um palhaço de carteirinha... daqueles com registro no sindicato dos palhaços e tudo. Nessa époica eu tava frenética, estudando para uma prova e ele sabia disso, afinal havia sido meu professor (detalhe sórdido da história).

Semanas antes da minha prova ele havia comentado que iríamos jantar, mas não havia dado as instruções ou coordenadas indicando dia, local, hora... e minha cabeça a mil por causa da maldita prova. Eis que o palhaço surge, num telefonema.

- Olha, hoje que a gente vai jantar tá? Você não esqueceu né?
- Esqueci? Você não combinou nada! Hoje? Mas eu tô estudando... mas tudo bem, mais tarde nos vemos, vamos jantar sim.
- Agora eu não quero mais, tô magoado, você esqueceu do combinado... bláBláBlá.... Eu querendo ser romântico, querendo provar ser um cara romântico, atencioso e vc faz isso... (PUTO nunca falou nada gentil!)
- Eu? Tá doido? Você não marcou nada...

O palhaço desliga o telefone e eu, me sentindo a malvada, sem memória, a Bette Davis da história, me arrumo correndo, deixo os livros jogados em cima da mesa, passo numa delicatessen caríssima perto de casa, compro tortinha, pães, frios, salgados e resolvo fazer uma surpresa aparecendo na casa dele (ou no matadouro circense).

Pego o metrô correndo, fico com uma pizza enorme no meu cashmere novo da Zara, percebo que minha calcinha não tá combinando com o sutiã mas ligo o foda-se, pego a hora do rush no metrô parecendo uma sardinha enlatada, ando mais um quilômetro e convenço o Saldanha, porteiro do circo, a me deixar subir sem ser anunciada. Ufa!
Toco a campainha e ele abre a porta. Mostro a surpresa, digo que o adoro e tal. Sabe o que o palhaço fala:

- Cara, num faz mais isso não, porque eu tava ligando pra outra mulher vir aqui pra casa agora! Tava magoado, entende?

Magoado com o que? Entendo sim, entendo, que além de palhaço você é filho da puta! (Não disse isso porque na hora fiquei paralisada sem acreditar no que estava ouvindo, mas deveria ter dito, né?)


Leitora P.P.

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terça-feira, 10 de novembro de 2009

 
Chope almoço dos leitores

Se no último encontro sambamos, neste vamos tomar refeição!

No próximo domingo, dia 15 de novembro, a partir das 14h, estarei no Boteco do Gomes para almoçar em companhia dos meus diletos leitores.

Quem é de comer que venha ter conosco, mas quem quiser já vir comido - e só beber - também será bem-vindo. Acho que tá bom pra todos os gostos e estilos de vida. Eu sei mesmo é que chego às 14h e só vou embora quando acabar a companhia ou a cerveja (ou cair de bebada).

Vamos comemorar o aniversário de 8 anos do blog OMEE, os 7 anos e 10 meses do HTP, a partida do Cacique Bukowski para João Pessoa, a proclamação da República e a beleza da vida. E aí, tá confirmado? Por mim, partiu. Te vejo lá.

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segunda-feira, 9 de novembro de 2009

 
Poooooooooooodres de famosas!
Da coluna do Joaquim Ferreira dos Santos de hoje nO Globo:

"De Sara Alcoforado, da Tijuca: “Essas mulheres que dizem que homem é tudo palhaço choram de barriga cheia. Já levei muito pé na bunda, nem por isso digo que eles são todos iguais. São uns ingênuos, coitados. Se deixam levar por qualquer pedaço de carne mais bonitinho e depois se ferram. As varas de família estão cheias deles”. Sara, o palhaço a que elas se referem é o bom segmento da casta macha.

São os que fazem rir, os que iluminam o picadeiro da existência com cambalhotas. É preciso cuidado, pois eles esguicham aquelas lágrimas em quem está por perto. Mas a vida anda pesada, Sara, e eles aliviam. É como se eu dissesse ‘mulher é tudo bailarina’. Força de expressão para lhes louvar a beleza. Mas nem todas, e nem sempre o tempo todo. Sem mais, me despeço com um beijo. Fui. Me liga outro dia. Eu, teu Arrelia.
"

Mais uma vez ele nos cita e nos "defende". Já está na lista dos "palhacinhos que amamos".

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domingo, 8 de novembro de 2009

 
Chope dos leitores

Hoje é aniversário de 8 anos do OMEE e a comemoração será no próximo domingo, com almoço no Boteco do Gomes. Claro, começa com almoço e não acaba enquanto tiver gente pra beber comigo. ;)

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sábado, 7 de novembro de 2009

 
Palhaço Machista
O meu guarda-roupa é antigo, estilo Chippendale, e, como todo móvel antigo, foi reformado. Só que na porta do meio a reforma não foi bem feita: tinha uma ripinha solta, que podia prender alguma roupa ou, pior, ir levantando atééééé sabe Deus onde e estragar a beleza do móvel.

Liguei para o dono do antiquário onde comprei o armário e o cara foi lá em casa tirar a porta para levá-la ao conserto. No dia que ele ficou de entregar a porta, eu cheguei tarde do trabalho, aí ele deixou-a na portaria.

Como o cara tirou a porta com facilidade, achei que seria igualmente fácil colocá-la no lugar. Humpf! Quando eu forçava o encaixe na dobradiça, a porta arranhava o acabamento na parte superior do guarda-roupa. Sem jeito mandou lembranças, sim, e daí? Eu não comprei um armário para montar; comprei um armário montado, certo?

Liguei para loja e pedi para o cara ir lá em casa colocar a porta no lugar. Ele disse que “não era possível, que era fácil” e blábláblá. É fácil para quem faz isso todo dia, durante anos. Depois de muita conversa, convenci o cara de ir lá em casa.

Antes de pisar na sala, o palhaço soltou a graça:

– Ah, dona Ana Paula, a senhora está precisando casar. Precisa de um homem para fazer estas coisas.

Além de me chamar de encalhada, o palhaço me chamou de sem jeito e sentenciou que um homem, pelo simples fato de ser homem, teria conseguido colocar a bendita porta no lugar. Eu mereço.

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quarta-feira, 4 de novembro de 2009

 
Eu, leitora e empresária circense apresenta o Palhaço National Geographic

Estava eu, lépida e fagueira aproveitando meu sábado de sol (coisa rara nestas bandas do Reino Juntim) pra trabalhar na varandinha do meu apto. Laptop a postos, taça de vinho, a vida é bela e total-flex.
Eis que pulula em minha tela uma mensagem. Um ex-peguéti, ainda amigo, e hoje casado.
- Essa foto da tatuagem é linda!
- Obrigada... quem tirou sabe das coisas.
- Noooossa, isso tá com cara de paixão nova.... acertei?
- É..... paixão nova de amor antigo, digamos assim.

Claro que quando leu isso, o Palhacinho se empertigou. Impressionante como Ex não pode saber que estamos apaixonadas pra se sentir traído e tentar ganhar o espaço. Afinal, o que passa na singela mente deles? Que comer mulher é marcar território, e ninguém mais pode frequentar estas plagas? Ai, pândegas! Iniciou o já manjado discurso de 'matar saudades'. Cortei logo:

- Peraí.... calminha calminha calminha.... nem vou entrar nos méritos de que você acabou de desconsiderar minha afirmativa que estou apaixonada... VOCÊ NÃO ESTÁ CASADO????
- Rsrsrs Mas não estou capado....
- Sei.... já parou pra pensar que sua mulher tampouco?
- AAAAAAH, mas é diferente... homem é diferente...
Claro. Homem é tudo palhaço... mas eu quis saber do ponto de vista dele. "Diferente como?"

E ele me brindou com a clássica desculpa que é tudo da 'natureza do macho', a história de 'reproduzir', 'natureza das espécies', 'preocupação instintiva contra a extinção', enquanto as fêmeas só 'reproduzem uma vez por ano', 'se preocupam com a cria', blablabla whiskas sachê...

Deixei o diálogo correr solto... quando sua verborragia terminou, respondi:
- Ok... entendi... então, já que é tudo uma questão de instintos animais, a gente faz o seguinte: dá próxima vez que você me encontrar, você faz a dança do acasalamento. Se sua performance for melhor que a do pavão real, eu dou pra você!
- Caraca... você não muda, hein???
- Não... e pelo visto, nem você...


Leitora J.C.

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segunda-feira, 2 de novembro de 2009

 
Palhaço da repartição
Em toda repartição tem um. Ou mais de um. Ou um espantosamente talentoso para artes circenses que volta e meia solta uma graça. Este espetáculo é de um palhaço que se enquadra na terceira categoria.

A reunião transcorria em uma sala gélida que lembrava um frigorífico. Uma moça foi ao banheiro e na volta comentou:

– Ai, que bom que o banheiro estava quentinho.

E o palhaço deixou-se levar por seus pensamentos sujos e achando que estava fazendo um espetáculo particular, falando para ele mesmo, soltou uma pérola em voz alta distraidamente:

– Ah, você quer um quentinho, é? Senta aqui que vou te mostrar um quentinho...

Cai o pano rápido.

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quinta-feira, 29 de outubro de 2009

 
Momento reflexão

Uma coisa que sempre me chama a atenção nos comentários do blog é como o foco da palhaçada é distorcido para justificar a palhaçada em questão. E em geral, ó surpresa, essa distorção é sempre masculina. O post abaixo rendeu 58 comentários e entre eles peguei a seguinte pérola:

Nós não vamos deixar de comer se a mulher quiser dar mas tb já sabemos que não é mulher pra namorar.

Ok, amigos. Nós sabemos que vocês homens são palhaços o suficiente para ainda fazer esse incrível seleção darwiniana. As mulheres para casar vocês comem em algum momento porque, sinceramente, acho difícil alguém casar virgem hoje em dia. As que não são para casar vocês comem quando estão casados. A pergunta é: por que casar então?

Mas a questão não é essa: o post abaixo não versa sobre o tema "dar de primeira". Até porque, "dar de primeira" não justifica que alguém - mesmo namorando - "pague" namoro com outra pessoa. O rapaz em questão podia ter comido a moça, tomado café, mandado um beijo e um abraço e sumido. Não seria mais honesto?

O que faz dele um palhaço é querer manter contatinho, ligar, marcar, levar para jantar e almoçar, andar de mãos dadas pelas ruas ... pra que?

Para em um determinado momento dizer: "ops .. tenho namorada?". E ainda sugerir que nossa heroína seja sua ... "amante"?

Sei lá .. acho que no fundo o que falta ao ser humano é um pouco de caráter, talvez ética, talvez cara de pau. E quem justifica, acho que precisa repensar alguns conceitos também. Sexo é livre. A gente dá para quem quiser. Mas educação é bom e todo mundo gosta.

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terça-feira, 27 de outubro de 2009

 
Alô criançada, Narinha chegou. Trazendo historinha pra você e o vovô.

Historinhas daquelas que a gente acha que só vê em novela, maaaaas ... em novela tudo é mais bonito e mais dourado, digamos assim. E as pessoas são super compreensíveis. Mas isso aqui ó .. é mundo real e estranho.

Quem segue o tuite do HTP pode mandar o título do post por lá. Como vamos chamar esse palhacinho?

Então é o seguinte: nossa protagonista, que já foi personagem desse distinto blog, me conta que conheceu um rapaz de boa profissão e família. Os dois viveram uma linda história de amor até a página 3 do livro. Literalmente até a página 3, porque a palhaçada veio tão rápido que nem deu tempo de render um capítulo todo.

Vejam que relato comovente:

"Fui a um bar dançante com umas amigas. Fizemos um pré na minha casa, onde começamos
a esquentar os tamborins. Chegando à boate, fomos convidadas a fazer parte do aniversário de um dos caras que estava comemorando lá. Fomos até a mesa e descobrimos um grupo de pélas-saco, oferecendo chamapanhota 0800 para a mulherada. Apesar de achar bizarro, nos aboletamos no camarote do cara. De repente, vejo um malandrinho, que nem achei assim tão lindo de morrer, mas que chegou na maior elegância. Conversa vai, conversa vem, saquei que não estava proseando com uma topeira e resolvi dar uma chance ao destino. Ele era ótimo. Ficamos.


Alguns drinques a mais e estávamos no meu apartamento. Dormimos juntos, acordamos, tomamos café no melhor estilo casal. Fofo, fofo... No dia seguinte, ele mandou mensagem avisando que ia à praia (atencioso, não?). Quando voltou, combinamos de almoçar. Como somos vizinhos - esqueci de comentar isso - fomos andando, felizes da vida, casal apaixonadinho, até o restaurante. Almoço româtico, comidinha na boca, risadinha...


Saimos de lá e eu fui ao aniversário de uma amiga. Na volta, passei na casa do malandro. Vimos um filme e dormimos juntinhos, conchinha..."

Pausa para um breve comentário: está tudo tão lindo que estou quase às lágrimas, mas quero alertar as moças de plantão que esse lance de dormir de conchinha banalizou. Não é sinal de porra nenhuma.

Pois bem: fizeram xixi? Pegaram a pipoca? O bom começa agora ...

"Deitadinha na caminha dele, quase que pegando no sono, ouvi um sinal. Ouvi mesmo! Não era alucinação. Fiquei na dúvida se era mensagem de celular ou de MSN. Fato é que o moço deu um pulo da cama e ficou uns 15 minutos em frente ao computador. No meio da madrugada? Achei estranho... Mas fiquei na minha. No dia seguinte, vi três escovas de dente no banheiro, sendo que ele mora sozinho. Ops! Achei suspeito... Como você mesma diz, os sinais!"

Caraca! Enfim alguém me ouve nessa vida!

"Voltei para casa, pois tinha de trabalhar. Fomos juntos pela rua, mais uma vez, casal apaixonado da Zona Sul carioca...
Trocamos novos torpedos e marcamos de jantar".

Putz ... ignorou os sinais ...

"Jantamos, trocamos carinhos e elogios. Voltei para a casa dele. Deitamos para ver TV, cena romântica, beijo aqui, beijo ali, a coisa começou a esquentar... quando - súbito! - ele falou:

- Preciso te contar uma coisa, mas não sei nem por onde começar...

Putaquepariu!
Pulei da cama, já procurando meus sapatos, pronta para sair dali no melhor estilo Leão da Montanha. Enquanto amarrava os cadarços, disse:

- Já sei. Você tem uma namorada que mora no exterior. E naquele dia estava falando com ela no computador.

- Na verdade, ela mora aqui ..."

SENSACIONAL!!!!

"- ... mas está no exterior de férias.

- Então seu namoro está uma merda?

- Não é bem isso...

Tive de completar:

- Então você é um escroto, mesmo? Chegou em mim, fez toda essa cena de bobeira?"

Ele tentou (!?!?!?!) se explicar. O que por si só já é inacreditável. Mas fez cara de apaixonado e disse que não queria me perder!!!! Que não aguentaria saber que eu poderia estar nos braços de outro homem!!!!!! Que estava mega envolvido comigo!!!!!!!

Perguntei se ele não tinha vergonha dos porteiros, nem das pessoas que nos viram na rua. Ele mandou:

- Eu vou conversar com os meus porteiros e eles não vão falar nada - depois emendou - Ela é uma pessoa muito legal, me deu muito apoio em uma época dificil da minha vida...

Paciência tem limite, né? A cara de pau dele parece um poço sem fim, mas vai dar meia hora de bunda antes que eu me esqueça. Fui! Num espasmo de cavalheirismo ele disse que me acompanharia. Ok. Já era tarde e eu não ia gastar um centavo de táxi por causa dele. Silêncio absoluto durante o caminho. Chegando a minha portaria, olhei para a cara do palhaço e lancei:

- Querido: sou uma muito maneira e uma mulher incrível. Não mereço passar por isso.

Virei as costas e entrei no prédio.

No dia seguinte, ele mandou vários torpedos, pedindo desculpas, dizendo que eu sou incrível (dã!) e que ele não deveria ter me proposto ser amante (?!?!). No final, disse que gostaria de ser meu amigo".