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quarta-feira, 7 de maio de 2008

Eu, advogada e empresária circense: despedindo o palhaço por justa causa

Preciso registrar a pior de todas as palhaçadas que vivi nos meus vinte e poucos verões. Era eu uma jovem ingênua e romântica, quando certo dia me vi envolvida em um espetáculo circense em determinada repartição pública. Lá conheci o palhaço em questão. Simpático e sorridente, como todo bom palhaço que está doido pra te traçar, começou a me xavecar. Passados alguns meses e depois de muita insistência, começamos a namorar. Como todo início de número circense era tudo lindo, surpreendente, e logo o amor cresceu. O namoro a distância tinha lá suas vantagens, pois sempre que nos encontrávamos era só Love! Havia algumas briguinhas, mas nada que abalasse definitivamente o “nosso” amor!

Eis que o meu funcionário, ou melhor dizendo, o palhaço já empregado há cerca de longos e problemáticos três anos, começa a se comportar de forma diferente. Dizia que o relacionamento já não era o mesmo, que eu tinha mudado, que as coisas não iam nada bem. Eu me perguntava onde tinha errado. Não tinha lingerie, fantasias eróticas que resolvessem a situação. Na verdade até agradava, mas depois os mesmos problemas “surgiam”.

Já muito desconfiada, comecei a fazer diligências pela área. Fuçando t-u-d-o! Telefone, computador, mala de viagem, pasta de documentos e tudo mais que você leitora imaginar. Sei que talvez muitas irão se identificar com essa tragicômica história. Acredite!Encontrei de tudo, camisinhas, presentes, fotos (lógico que não era eu a outra parte...digamos afetiva da fotografia), lugares freqüentados registrados pelo cartão de crédito, enfim, uma palhaçada que não tinha tamanho.

Depois de meses registrando, anotando, copiando, xerocando, siimm...tinha que ser assim, porque o palhaço magistrado era hábil com as palavras, se eu não fosse muito convicta nos argumentos era bem capaz dele conseguir fazer com que eu dissesse que eu que estava errada! Foi difícil, mas a minha busca era incessante e quase compulsiva por provas que justificasse a despedida definitiva do meu palhaço motivada por justíssima causa!

Depois de muitas brigas e confusões, o palhaço sempre a se escusar, quase que me acusando de ADÚLTERA, descobri toda a verdade! O meu palhaço preferido era na verdade um grande ator. Descobri que os motivos que ele “arrumava” para aquelas briguinhas, onde ele até chorava copiosamente... eram motivados pela necessidade de ir ver a outra!Pois é amigas! Ele namorava com as duas. Eu que sempre me considerei a esperta, estava sendo passada pra trás havia muito tempo! Eu era uma espectadora de mim mesma. Era como se eu fosse o tema da piada, que só tinha graça pra eles dois. Depois de poucas e boas que ele ouviu (incluindo aí um tapão muito bem merecido no meio das fuças). Dei ao palhaço a carta de demissão. Até hoje ele não se conforma com a separação e tenta fazer da minha vida um inferno. Mas já me sinto muito aliviada em saber que aquela que um dia esteve no meu espetáculo e rindo às minhas custas, hoje é a piada principal. Espero que ela faça do palhaço magistrado, palhaço-cuscuz (que sabe e abafa), fica só desconfiando sem saber quando será a próxima gaia. Agora estou solteira e feliz. Convicta que na próxima contratação vou pedir todos os antecedentes criminais do candidato a vaga de palhaço da vez. É isso!! É tudo palhaço mesmo, né!


Leitora G.V.

1 comentários:

filosofiadeboteco disse...

Ah, vasculhar as coisas dele e acumular "provas"? Pô, que falta de amor-próprio! Vai e termina logo, pra que provas? Que juiz você tinha que convencer?