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quarta-feira, 7 de julho de 2010

Eu, leitora e empresária circense

Mudei para Cuiabá por uns meses, como era nova na cidade e não conhecia bem as coisas por lá, acabei saindo com um tipinho de palhaço muito comum por aquelas bandas, um palhaço que pelo fato da família possuir alguns hectares de soja se sentia o milionário do pedaço.

A ostentação do palhaço me irritava bastante, mas como era o melhor que tava tendo, respirei fundo e aceitei o convite do bruto pra irmos à boite mais bacana da cidade. Me produzi toda, coloquei um vestidinho curto que deixava minhas perninhas à mostra e fiz aquela escova na cabeleira. Ao me ver, o palhaço fez vários elogios. Entrei no carros e lá fomos nós.

Rufem os tambores o espetáculo vai começar....

Ao caminharmos para porta o bruto vira e solta:

- Olha, como você é nova aqui e ainda não conhece nada, vou te avisar, se algum dos meus amigos te perguntar quanto você cobra num estranha não!

Depois de ouvir essa pérola fui obrigada a pegar o primeiro táxi que vi, após mandar o palhacinho tomar no meio daquele lugar. É claro, mas não desperdicei minha produção não, parei num barzinho e tomei uns chopes sozinha mesmo, que é melhor que mal acompanhada.

Leitora A.T.

****

A jovem empresária circense divide a sua humilde residência com o palhacinho há mais ou menos sete meses. Sim, vivemos maritalmente. Bela manhã toca meu telefone. É o palhaço:


- Oi, gata, você tem aula hoje?
- Sim, tenho aula importante...
- Olha, hoje vou te esperar acordado, tá? Saudades de namorar, ficar juntinho, blábláblá wiskas sachê...


Parênteses: a empresária circence viaja 80 km três vezes por semana para frequentar uma universidade!


- Tudo bem, Benzinho!

Beijinho, beijinho, tchau, tchau!


Eis que a empresária circense chega em casa, por volta das 0h30, toda empolgada, praticamente arrancando a roupa no corredor, pronta pra tirar o atraso, abre a porta e... se depara com uma dúzia de latas de cerveja vazias, vários cigarros apagados no cinzeiro, a TV ligada e o palhaço dormindo, de óculos, atravessado na cama e... roncando!!!


A coitada ainda teve todo o trabalho de mover aquela matéria inerte pra um canto da cama pra conseguir se deitar...

Leitora A.A.

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Como toda adolescente da era Disney que se preze, não fui devidamente apresentada à vida circense. Até meus 16 anos esperei pacientemente por um príncipe encantando que viesse me resgatar da minha torre mais alta em seu cavalo branco. No entanto, depois desta idade, todo conto de fadas começa a perder seu encanto. Comigo não foi diferente.

Numa bela noite resolvi acompanhar uma tia minha (atual companheira da vida circense) ao aniversário de um ano da filha de uma amiga. Já enfadada pela espera, noto que um lindo e loiro rapaz, também da minha idade, me paquera insistentemente. Tremendo dos pés à cabeça, resolvo atender ao seu chamado para conversarmos. Enquanto me aproximo, todo um conto de fadas se apresenta a minha frente: “o inusitado”... “numa festa de criança”... “quando eu menos esperasse, tal qual diziam os meus pais”... Coisas do gênero me vinham à cabeça naqueles poucos segundos que levei até encontrá-lo no banco do jardim do prédio.

Ao chegar perto do encantado, ouço a corneta:
- Ahe, gaaata... Te achei a maior gaaaaata, aheee...
Foi como se ele retirasse a flor do paletó e esguichasse água direto no meu rosto! Um banho de água fria!
Rapidamente falei a primeira coisa que me veio à cabeça:
- Sabe o que é? Vim te dizer que infelizmente não posso ficar com você, pois tenho namorado.

Só que eu não esperava pela série de contra-argumentos que me pareciam mais torturantes do que a frase de apresentação. Foi então que tomei a primeira iniciativa perante um palhacinho-bom-aprendiz na minha vida: tasquei-lhe um beijo na boca antes que ele pronunciasse mais alguma palavra!

E foi assim que dei o meu primeiro beijo: Numa tentativa desesperada de calar um palhacinho mirim!
Ainda tive que ouvir dele que meu “namorado” era um cara de sorte porque eu beijava maravilhosamente bem. Senhoras e senhores, o circo chegou à cidade!

Leitora F.T.

19 comentários:

lariluz disse...

huahuahuahua...

Eu só me divirto com essas histórias!

A do palhaço atravessado na cama é "comum", quem nunca se deparou com esta cena deplorável, né?

Mas beijar pra fazer o palhaço calar a boca, essa foi novidade, eu ri! rs...

Thata disse...

Não tenho palavras para dizer o quanto estou me divertindo com o Livro. Hoje gargalhei sozinha no carro, parada num farol.

Parabéns mais uma vez.

Beijos

Laurinha (Mulher modernex) disse...

No primeiro caso fiquei em dúvida se o palhaço falou aquilo porque tinha fama de sair com prostitutas e os amigos achavam que se tratava de mais uma ou se ele insinuou que a roupa da empresária era roupa de prostituta... Seria palhaço dos dois jeitos, mas fiquei na dúvida, se alguém puder me esclarece, rsrs...
No segundo caso fiquei com dó do palhaço, borrachinha fraca que não conseguiu esperar acordado e no terceiro caso, esperar que nossos palhacinhos sejam príncipes encantados, realmente, é pedir pra se decepcionar... rsrs

Abçs pessoal!!!

D. disse...

Hahahahaha, morro e não vejo de tudo.

Iôrrane Ferreira disse...

É impossível deixar de passar por aqui depois de um dia de trabalho para dar enormes risadas.
Adoro o blog :)

lu disse...

hehehehee adoro esse blog, tem uns meses ja que venho td dia ver as historias mais mirabolantes da vida!!! e o melhor de td hj foi na historia, a nossa colega dizer blablabla wiskas sache!!! eh o maximo uaahuahhaha...como tem palhaco nesse mundo!!!!!!

Vida de Loba disse...

Tô adorando!!!!! Já linkei no nosso blog!!!!!

Anônimo disse...

Roberta, li o livro numa sentada!!!
Se não fosse "autobiográfico", seria cômico!
Quero mandar minhas histórias, também.
Como faço?

Alex disse...

Seria legal colocar no site uma coletanea das palhaçadas mais engraçadas.

Ana Luisa de Vasconcelos Ribeiro disse...

kkkkkkkkkkkkk


adoro o humor de vcs.

Rhea disse...

Acabo ficando em dúvida com o qual eu me divirto mais, se com o HTP ou com OMEE...
Porém preciso resaltar que os dois são fantásticos!! É fato!!

Bjuuussss!!!

Anônimo disse...

Na verdade eu conheço razoavelmente o Estado de Mato Grosso e as coisas funcionam mais ou menos assim mesmo, pois o índice de prostituição é alto. Certamente não foi pela roupa, mas pelo costume do cidadão e de seus amigos frequentar bordéis e de se fazerem acompanhar por garotas de programa.

Renata disse...

Estou aqui aplaudindo esse circo todo!BRAVO BRAVO! Não conhecia o HTP..mas estou me divertino muitoo c as histórias, e estou recomendando para minhas amigas e elas também estam amando tudo!PARABÉNS!
Qualquer dia vou contar uma palhaçada também!Apesar de ser uma empresária circense no começo da carreira,já ri com muitos palhaços! Vou procurar o livro *-*
Beijinhos!

Anônimo disse...

"recompensar" um "palhacinho" com um beijo por ele ter sido palhaço, só o incentiva a ser mais...





















É, Tem algo errado aqui.

Marivalda disse...

Adorei o blog. Já conheci alguns palhaços ridículos. As autoras entendem mesmo do assunto

Periodista disse...

A criatividade humana não tem fim... Não sei se fico envergonhado com as performances dos meus colegas artistas ou se lamento o talento desperdiçado nas apresentações em petit-comité.
De qualquer modo, pelo menos servem para tornar este blog o mais divertido do planeta (e ainda gera dividendos: entrevistas, livros, etc.).
Sugiro às empresárias (principalmente a de Cuiabá) que leve sempre consigo um aparelho de eletrochoque na bolsa, para encerrar algumas atuações sofríveis com uma espetacular eletro-cambalhota.
Y que vengan los toros!

Aline disse...

As contribuições das leitoras são ótimas!! Rio muito! Não conhecia o blog e adorei!!! Quem não tem história de palhaçada pra contar?? Vcs ainda recebem histórias?? posso mandar a minha?? hahahaha

Anônimo disse...

mentirosa essa leitora hein !
tava no auge de seus 16 anos sem nunca ter beijado, aí o primeiro "palhaço" que aparece falando qq besteira ela simplesmente agarra !
isso sim é estar " a perigo" hahahaha
p.s. : Por que essas coisas nao acontecem comigo ? rs

Anônimo disse...

"Ainda tive que ouvir dele que meu “namorado” era um cara de sorte porque eu beijava maravilhosamente bem. Senhoras e senhores, o circo chegou à cidade!"

ainda passa a imagem de vagaba por ter dito q tinha namorado e beijando outro, uma esperteza impar