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quarta-feira, 14 de fevereiro de 2007

Eu, leitora e empresária circense

Hoje é dia de espetáculo das leitoras, vamos lá.
Esse foi enviado por uma das mais antigas freqüentadoras/comentaristas em atividade e prova que homem é tudo palhaço, até na Noruega.

Divirta-se, meu respeitável público.


Conheci o fulano em questão através da internet, em um site para quem ouve rock/metal. Ele foi puxando conversa, perguntou se eu era solteira, respondi que sim. Marcamos de nos encontrarmos. Ao chegar no local, constatei que ele era apenas alguns centímetros maior do que eu. Não sou muito exigente para homens, só duas coisas são imprescindíveis: ser alto e, no máximo, 10 anos mais velho. Ele não era nenhum dos dois. Respirei fundo e pensei "tudo bem, altura é só um detalhe". Ok, conversamos, conversamos, conversamos...ainda não era tarde da noite, então o convidei para assistir um vídeo aqui em casa. O rapaz tentou se aproximar de mim o tempo inteiro, mas não abri espaço. Ele insistiu tanto que antes dele sair da minha casa, dei um estalinho nele. Pensei em dar uma chance para ele...antes não tivesse.

Marcamos de nos vermos na outra semana. Aí rolou o primeiro beijo...uma coisa meio "eww", mas como eu estava bêbada, relevei. A gente continuou a se encontrar e avançar um pouco "nos degraus"...Ah, mas sei lá, ele me irritava, imitava um cachorro chorando toda vez que eu não o deixava fazer alguma coisa (eu me sentia uma zoófila, sensação horrível), as costas dele eram peludas, enfim. Por outro lado ele era simpático, inteligente e tinha um bom gosto musical. Eu realmente acreditava que a química entre a gente iria surgir a qualquer momento.

A semente da palhaçada
Eu ia viajar para a casa da minha família hospedeira, para comemorar o natal, em Næs, cidade no sul da Noruega (estou aqui trabalhando de Au Pair). A família foi antes, de avião, e sobrou para a Isaura aqui ir de trem. A minha mala de estava muito pesada, pois eu ia para Fredrikstad para passar o ano novo com um amigo meu e tinha que levar os presentes para a família e o meu amigo. Então o rapaz se dispôs a me buscar em casa e levar na estação. Aceitei. No dia da minha viagem eu estava sem grana, então pedi para que ele comprasse para mim um livro e um esmalte. O avisei que iria pagar logo após o meu retorno, ele falou "tudo bem, não tem pressa". Ok. Passou natal, passou ano-novo e voltei para casa. Ele não me cobrou o dinheiro, não mencionei nada, mas não esqueci. Continuamos nos vendo, mas aí eu já estava ciente de que a tal "química" não iria surgir. Estava eu pensando em um jeito mais sincero de avisá-lo, porém não foi necessário, pois ele me deu um motivo perfeito.

Um Glenn Close
Em uma quarta-feira, depois de um dia inteirinho aturando crianças, tirei o resto do dia para fazer pipoca, assistir TV e descansar. Depois de um banho maravilhoso, estava me preparando para assistir a estréia de "Ugly Betty" na TVNorge...aí a campainha tocou.

Como não estava sozinha em casa, achei que fosse visita para uma das meninas que moram comigo, mas qual é a minha surpresa em ver o rapazinho, carne-e-osso, na minha frente? Nossa, fechei logo a cara. Não suporto visita surpresa, principalmente de gente que me conhece há pouco tempo! Tudo bem, ele veio entregar o CD que eu pedi para gravar, mas custava ligar antes? E o rapaz ainda ficou um tempinho na minha casa!

Não dei atenção a ele, logo o tonto se tocou e resolveu se retirar. Logo depois liguei para o rapaz, pedindo desculpas pelo meu comportamento, mas explicando que não me sentia confortável com visitas-surpresa. Pedi para ele aparecer aqui em casa em um outro dia. Ali eu já estava determinada a botar os pingos nos is. Quando ele apareceu, a primeira coisa feita por mim, foi sentar com ele e me abrir. Contei que eu não queria tê-lo como um namorado, que nem meus amigos apareciam do nada na porta da minha casa e isso me assustou, que eu só o queria como amigo, coisa e tal. Ele falou que não sabia que estava em um relacionamento (bem, menos mal), porém ele aceitava numa boa. Então fomos assistir TV. Tentei brincar com ele, mencionando o fato de querer raspar as costas dele. O bruto se empolgou todo e não é que ele tentou me beijar? Virei o rosto e estranhei a atitude. Alguns minutos depois, ele se levantou e avisou que iria embora. "Você faz o que você quiser, eu faço o que eu quero", ele me disse. "Então tá, eu apareço na tua casa depois" (estava assistindo o seriado Supernatural).

Depois que a série acabou, fui para a casa dele. Ele me recebe com uma cara de bunda mal-lavada. Perguntei o que estava de errado. Aí começou a ladainha de que "eu não fui específica, que ele não sabia onde estavam as coisas e blá, blá, blá". Uai, como assim? Deixei bem claro, não queria mais nada com ele. Então o bruto mencionou as costas dele e falou que "só faria isso se estivesse em um relacionamento". Então eu disse "está tudo bem, pois eu estava brincando". Fiz uma hora por lá e depois voltei para casa. Ainda tentei continuar a amizade, mas ele sempre me respondia de má-vontade, ou botava a famosa cara de cu mal lavado quando eu o visitava. Aí, desisti.

E a palhaçada brotou!
Tinha se passado quase uma semana desde a última vez que encontrei o palhaço quando recebi o seguinte torpedo: "você sabe que ainda me deve 180 kr". Fiquei um tanto quanto surpresa, pois o cara ganha pelo menos dez vezes mais do que eu e não precisa de uma quantia tão pequena. Faça as contas: eu, como au pair, ganho 3000 kr; enquanto ele ganha 30000 kr. Eu ainda estava com um livro e um DVD dele, mas o rapazinho só fez questão do dinheiro.

Mandei um recado, avisando que já pagava no próximo sábado. Ah, meu amigo, vá dar meia bunda de hora! Mandar torpedinho para cobrar 180 kr é palhaçada! É lógico, o dinheiro é dele e ele faz o que quiser com ele. O que foi escroto nessa situação foi a vingancinha... na cabecinha dele ficou assim: ah, você não quis dar para mim, então paga. Onde um cara com DOIS PCs precisa de tão dinheiro?

Contei para a minha host mom e ela riu, surpresa. Disse para eu mandar uma mensagem sarcástica para ele, mas deixei para lá. Ela perguntou se eu ia pagar, afirmei, pois para se livrar de louco, pago o triplo. No tal sábado encontrei com ele, paguei e fui embora.

Epílogo
Depois de dias sem ouvir dele, ele me mandou um e-mail me pedindo desculpas por ter agido feito palhaço, porém quis justificar o comportamento infantil com as "minhas decisões"! My ass, amiguinho. Vai para o blog mesmo assim!

O mais engraçado de tudo é que temos amigos em comum, mas só soube disso semana passada. Vi no livejournal dele a "versão" dele para o nosso rolo...patética, claro. Fica a lição: se não faz teu tipo, nem pense em dar moral.

2 comentários:

filosofiadeboteco disse...

Normalmente sou solidário, mas essa aí... é mais palhaça que ele.

Cobrar ninharoia é foda, mas se não tavba a fim, tinha nada que pedir dinheiro emprestado ou comprar coisinha. Se ele contasse o lado dele da história, mudando o gênero, certeza que era digno de aparecer também no blog.

Nanda disse...

Seguinte, se eu ganho R$ 3000, por exemplo, eu não acho que R$ 180 seja ninharia. Se o cara ganha muito mais, ótimo pra ele, mas continua sendo um bocado de dinheiro. Se a garota resolveu terminar e, como ela diz, não estava esquecida da dívida, era obrigação DELA se oferecer pra acertar tudo a hora de dispensar o carinha... Na moral, a palhaçada foi dela! ¬¬